Quarta-feira, 16 Dezembro, 2009 - 1:57 pm
sou mais desconfiado que mineiro quando vejo iniciativas de “marketing cultural” praticadas por empresas que prestam serviços de qualidade duvidosa.
preferia que as operadoras de cartões de crédito, distribuidoras de eletricidade ou empresas de telefonia móvel e fixa fossem menos extorsivas na cobrança de suas tarifas, juros e taxas, ou que oferecessem serviços com um mínimo de qualidade – que é o motivo e a razão de sua existência, em último caso – em vez de posarem de beneméritos mecenas, emprestando seus nomes horrendos a teatros e salas de espetáculos.
por último, tem essa árvore de natal da lagoa, patrocinada por uma companhia de seguros, que todo fim de ano transforma-se no pesadelo de quem transita pela zona sul. de carro, ônibus, bicileta, patinete ou a pé, qualquer forma de deslocamento torna-se um suplício, com impactos no tráfego de botafogo a copacabana, passando por jardim botânico, gávea, leblon e ipanema. e se de dia é ruim, de noite, quando ela se ilumina, é pior.
tudo isso apenas para dizer que concordo em gênero, número e grau com a crônica do joão ximenes braga publicada nesse sábado (12/12/2009) no caderno ela, do globo.
que sejam bacanas nas zonas norte e oeste, que são áreas realmente carentes de… bem… “cultura”.
Terça-feira, 15 Dezembro, 2009 - 10:36 am
outro dia, no meio de uma conversa, comecei a elogiar minha irmã.
- ela é sensacional. inteligentíssima, linda, e soube se reproduzir muito bem, porque minha sobrinha também é maravilhosa. se essa coisa de cara-metade existir, com certeza a minha será ela. aliás, ela é a minha melhor metade. – fiz, entretanto, a ressalva. – mas às vezes ela tem um geniozinho desgraçado.
diante da descrença da minha interlocutora – que a conhece, mas não tão bem quanto eu -, contestei.
- basta me imaginar num mau dia… com tpm!
Sábado, 12 Dezembro, 2009 - 10:30 pm
(…) afinal de contas, que fazemos aqui? As religiões inventaram as respostas para nos apaziguar; elas criaram infernos e demônios para nos ensinar a viver sabiamente em conjunto, limitando a caça pelo medo da polícia. As ciências nos desiludiram, por não trazer a explicação definitiva, que ainda e sempre esperamos. O ateísmo assegura-nos que não é nada disso – o que, provavelmente, é verdade, mas difícil de suportar. Então, alguns se evadem sonhando com futuros ilusórios que jamais verão. Outros passam o tempo guerreando. Outros ainda se suicidam dizendo que, se soubessem, não teriam vindo. A maioria, que não tem coragem de abrir caminho, depois de ter sido empurrada durante a existência, prolonga sua velhice esperando ser empurrada para o nada. Muitos, enfim, diante dessa enorme “cânula cósmica”, como a chama Alvin Toffler, preferem rir.
O riso (…) não seria, de fato, a resposta apropriada? Se verdadeiramente nada tem sentido, o escárnio não seria a única atitude “razoável”? O riso não é o único meio de nos fazer suportar a existência, a partir do momento em que nenhuma explicação parece convincente? O humor não é o valor supremo que permite aceitar sem compreender, agir sem desconfiar, assumir tudo sem levar nada a sério?
georges minois, in história do riso e do escárnio
Segunda-feira, 30 Novembro, 2009 - 2:04 pm
tudo bem que o protesto começou no sul, mas foi em são paulo que ganhou as manchetes da grande mídia. diante dos fatos, fica difícil ter boa vontade com a estranha cidade ao sul do brasil.

e como diria nelson, o rodrigues, é com divertido horror que vejo compararem impunemente a proibição do bronzeamento com a repressão de uma ditadura. dá vontade de sapecar nesse pessoal uma surra de vara de marmelo ou trancafiá-los no supletivo mais próximo.
rapaz! tem cobrança de inativos, apagão, essa sem-vergonhice toda nas casas do congresso, queda de rodoanel, mas o povo lá só grita a favor do bronzeamento.
o pior é que o troço já foi cientificamente declarado nocivo à saúde. na boa, têm mais é que sofrerem horas de engarrafamento para ir à praia.
(ou talvez não seja uma má idéia deixá-los fritar…)
Terça-feira, 17 Novembro, 2009 - 10:27 am
a primeira coisa que faço ao ligar o computador no trabalho – depois de passar alguns segundos suspirando pela vênus do botticelli que ilustra a tela na minha área de trabalho – é dar uma olhadinha no sáite learn something everyday.
todo dia leio uma informação que não vai mudar absolutamente nada na minha vida. mas é sempre divertido. e adoro a programação visual, as cores, a síntese entre ilustração e texto…
é a minha receita para começar bem o dia.

ps: nove em cada dez imeios espertinhos contendo listas de curiosidades bizarras copia o sáite descaradamente.
Terça-feira, 17 Novembro, 2009 - 9:00 am
Domingo, 25 Outubro, 2009 - 12:04 pm
depois de duas semanas desbravando belém do pará e são luis do maranhão (engraçado, duas capitais que citam no nome o estado a que pertencem), estou de volta.
a contar, muitas coisas lindíssimas vistas e vividas. cheguei a levar um caderninho à guisa de diário de viagem, mas qual! jacaré escreveu? nem eu!
anfã, aos poucos vou colando umas reminiscências, à medida que a necessidade me cutucar.
algumas impressões:
- apesar do que dizem, o folclórico calorão de belém não é muito diferente do sofrido em qualquer subúrbio do rio no verão. sua-se mais, por causa da umidade do equador, mas em compensação tem sempre uma brisa soprando.
- não se pode entender o sarney e sua quadril… digo, família, sem conhecer são luis. há novíssimos espigões, hotéis cinco estrelas, shoppings modernos… mas entre eles, muita miséria. parece que conceitos básicos de urbanismo ainda não foram completamente assimilados. há muitos buracos em todas as ruas, muitos terrenos baldios com mato crescido e lixo – em bairros de classe média.
a caminho de são josé do ribamar, vi quarteirões de mansões onde as ruas transversais sequer eram asfaltadas. numa capital cuja população não chega a um milhão, esses seriam problemas simples de se resolver. a falta de vontade é nítida. e tome propaganda do governo na tevê anunciando as benesses do tal progresso…
depois eu continuo.
Sábado, 3 Outubro, 2009 - 1:24 am
a empresa está pagando por um curso de comunicação. a aula do mês é de marketing. fujo da bobajada geral para aliviar a bexiga e topo com dois faxineiros no banheiro.
um deles fala para o colega: “isso aqui é só um bico. sou bombeiro hidráulico e pintor. sei fazer até textura. sabe o que é isso? sabe nada. não é esse seu testão aí, não.”
e continuou. “por exemplo, eu faço assim: o cara pede pra eu usar a furadeira na parede pra meter uma bucha de oito [polegadas]. você não pede isso, mas tem gente que pede. eu já procuro alguma coisa… ‘ô, criente, tá vendo essa rachadura aqui em cima? isso aqui pode piorar… é melhor a gente quebrar aqui, emboçar.’ o cara fala com a patroa, e manda fazer.”
nesse ponto eu já tinha esquecido a aula e virado platéia do faxineiro.
“ou então eu meto a bucha na parede e falo, ‘criente, já tá na hora de dar uma outra pintura aqui, né não? de repente a gente joga um creme, um azul marinho’… aí, um serviço que custa trinta, já vai sair por cem. eu cobro o material e a mão-de-obra, e se fizer bem-feito, o cara ainda me chama de novo pra outro serviço”.
aí não me contive: “olha, amigo, isso que você falou é a mesma coisa que estão ensinando pra gente na sala de aula ali”.
o faxineiro virou-se radiante para o colega: “não te falei, rapá? eu tô aqui limpando banheiro, mas é temporário. a cabeça não para de pensar!”
obviamente não contei que o sujeito na sala de aula foi pago em dólar para vir dos estados unidos passar quase uma semana com tudo pago no rio de janeiro. que agora ainda por cima é a futura capital olímpica.