Quinta-feira, 29 Outubro, 2009 - 9:20 am

chup chups

uma colega do trabalho conta, enlevada, que a filha de poucos meses havia aprendido a beber suco de canudinho.

como profundo conhecedor de fisiologia humana e do desenvolvimento psicomotor dos bebês, arrisco uma opinião:

- mas o reflexo de sucção é o primeiro que o bebê desenvolve.

imbuída dos segredos da maternidade, minha amiga responde, compreensiva.
- sim, mas sugar um canudinho é muito diferente de sugar um seio.

- disso não tenho dúvida, porque senão eu andaria o dia inteiro com um canudo na boca.

definitivamente, sutileza não é palavra que se encontre no meu dicionário.

Domingo, 25 Outubro, 2009 - 12:04 pm

aqui me tens de regresso

depois de duas semanas desbravando belém do pará e são luis do maranhão (engraçado, duas capitais que citam no nome o estado a que pertencem), estou de volta.

a contar, muitas coisas lindíssimas vistas e vividas. cheguei a levar um caderninho à guisa de diário de viagem, mas qual! jacaré escreveu? nem eu!

anfã, aos poucos vou colando umas reminiscências, à medida que a necessidade me cutucar.

algumas impressões:

- apesar do que dizem, o folclórico calorão de belém não é muito diferente do sofrido em qualquer subúrbio do rio no verão. sua-se mais, por causa da umidade do equador, mas em compensação tem sempre uma brisa soprando.

- não se pode entender o sarney e sua quadril… digo, família, sem conhecer são luis. há novíssimos espigões, hotéis cinco estrelas, shoppings modernos… mas entre eles, muita miséria. parece que conceitos básicos de urbanismo ainda não foram completamente assimilados. há muitos buracos em todas as ruas, muitos terrenos baldios com mato crescido e lixo – em bairros de classe média.

a caminho de são josé do ribamar, vi quarteirões de mansões onde as ruas transversais sequer eram asfaltadas. numa capital cuja população não chega a um milhão, esses seriam problemas simples de se resolver. a falta de vontade é nítida. e tome propaganda do governo na tevê…

depois eu continuo.

Sábado, 3 Outubro, 2009 - 1:24 am

sabedoria popular (ou “marketing for dummies”)

a empresa está pagando por um curso de comunicação. a aula do mês é de marketing. fujo para aliviar a bexiga e topo com dois faxineiros no banheiro.

um deles fala para o colega: “isso aqui é só um bico. sou bombeiro hidráulico e pintor. sei fazer até textura. sabe o que é isso? sabe nada. não é esse seu testão aí, não.”

e continuou. “por exemplo, eu faço assim: o cara pede pra eu usar a furadeira na parede pra meter uma bucha de oito [polegadas]. você não pede isso, mas tem gente que pede. eu já procuro alguma coisa… ‘ô, criente, tá vendo essa rachadura aqui em cima? isso aqui pode piorar… é melhor a gente quebrar aqui, emboçar.’ o cara fala com a patroa e manda fazer.”

nesse ponto eu já tinha esquecido a aula e virado platéia do faxineiro.

“ou então eu meto a bucha na parede e falo, ‘criente, já tá na hora de dar uma outra pintura aqui, não? de repente a gente joga um creme, um azul marinho’… aí, um serviço que custa trinta, já vai sair por cem. eu cobro o material e a mão-de-obra, e se fizer bem-feito, o cara ainda me chama de novo pra outro serviço”.

aí não me contive: “olha, amigo, isso que você falou é a mesma coisa que estão ensinando pra gente na sala de aula ali”.

o faxineiro virou-se radiante para o colega:”não te falei, rapá? eu tô aqui limpando banheiro, mas é temporário. a cabeça não para de pensar!”

obviamente não contei que o sujeito na sala de aula foi pago em dólar para vir dos estados unidos passar quase uma semana com tudo pago no rio de janeiro, agora ainda por cima futura capital olímpica.

Terça-feira, 8 Setembro, 2009 - 10:16 pm

porque amo kurt vonnegut (2)

“To be is to do” – Sócrates.
“To do is to be” – Jean-Paul Sarte.
“Do be do be do” – Frank Sinatra.

in Bode Vermelho.

Segunda-feira, 7 Setembro, 2009 - 1:35 pm

porque amo kurt vonnegut

transcrevo a abertura de “deadeye dick”, misteriosamente traduzido para o português como “bode vermelho”, que adquiri semana passada no berinjela, sebo subterrâneo do centro da cidade, no fundo da galeria que abriga a portentosa livraria leonardo da vinci.

aos interessados, lá tinha também uma edição de “galápagos”. portanto, corram!

“Aos que ainda não nasceram, a todos os pedacinhos inocentes de nada indiferenciado: cuidado com a vida!

Eu contraí a vida. Caí doente de vida. Eu era um pedacinho de nada indiferenciado, até que sem mais nem menos um olhinho mágico se abriu. Luz e som jorraram. Vozes começaram a falar sobre mim e o meu meio. Nem tive tempo de contestar o que diziam. Disseram que eu era um menino chamado Rudolph Waltz, e pronto! Disseram que estávamos em 1932, e pronto! Disseram que eu estava na cidade Midland, Ohio, e pronto!

Jamais pararam de falar. Ano após ano forneceram uma informação atrás de outra. E ainda fazem isso. Sabe o que é que eles dizem hoje? Que é 1982 e que estou com cinqüenta anos.

Blábláblá.”

ironia e humor. de que mais um homem precisa para perceber o absurdo de sua própria condição, rir de si mesmo e seguir adiante, um sorriso estampado nos lábios? como diria o próprio vonnegut: “coisas de vida”.

Quinta-feira, 3 Setembro, 2009 - 1:48 pm

alguém me explica?

tenho algumas considerações & dúvidas a respeito da notícia Italiano beija filha de 8 anos em praia de Fortaleza e é preso em flagrante.
oh-superman

- a mulher do carcamano alegou que tudo não passava de um “carinho, comum entre pai e filha na Itália“. dependendo que for, acho que deve ser comum aqui também. mas com a filha dos outros…

- fiquei embatucado com a expressão “estupro de vulnerável”. por acaso existe “estupro de invulnerável”? alguém que sofra um estupro (tanto na antiga concepção da lei quando na nova), sente-se de outra maneira que não vulnerável?

- que diabos é uma “bicoca”? um refrigerante de dois gargalos?

Domingo, 30 Agosto, 2009 - 2:23 pm

recado nenhum

acordei hoje com essa música do jards macalé na cabeça.

não me entendam mal, ela não quer dizer nada, nem é recado para ninguém.

nada vai tão ruim que não possa melhorar, nem tão bom que não possa piorar. ou seja, tá tudo ok.

apenas acordei com ela na cabeça. e gosto do jards. ah, a música é do álbum homônimo do cantor, de 1972.

Sexta-Feira, 28 Agosto, 2009 - 6:15 pm

bukakke

capa_400

tá achando que é montagem? vai lá.

descoberto pelo ababelado.

Quarta-feira, 26 Agosto, 2009 - 11:28 pm

what is love?

nossos sentimentos amorosos são realmente originais, ou são frutos de um certo senso comum que predomina numa determinada época, moldados por hábitos sociais e/ou de consumo, que acabam por estabelecer certos padrões de anseios e expectativas para nossas relações afetivas & sexuais?

explico-me: outro dia, ao ler uma suposta carta de pós-separação no blogue redatoras de merda, assustei-me com a quantidade de semelhanças com as queixas e insatisfações já ditas e ouvidas por mim, ou ainda, escutadas de terceiros sobre seus próprios relacionamentos. tudo me pareceu tão previsível que passei a me questionar se, no que diz respeito ao amor, não estamos todos apenas repetindo um grande script social, sem consciência real dos sentimentos.

talvez seja esse um dos motivos do grande número de separações, divórcios, e trocas de casais. as pessoas querem encaixar suas vidas em modelos pré-determinados, tirados sabe-se lá de onde (da literatura? das novelas? das religiões? dos comerciais de bombons e de celulares?), sem respeitar as caracerísticas dos próprios desejos e ansiedades, e as de seus parceiros.

o resultado só pode ser frustração, tristeza e angústia para “acertar”. e aí pergunto com sinceridade, sem uma gota de ironia: acertar em quê? em quem? acertar é encontrar um parceiro para o resto da vida é casar, ter filhos, aluguel e contas a pagar? ou é sair por aí pegando geral, satisfazendo a ilusão de que vamos conseguir dormir com todas as pessoas interessantes que aparecem? só se acerta assim? quem disse que isso é o certo? é certo para quem?

as perguntas são muitas e redundantes, mas acredito que apenas com coragem para se questionar, e de várias maneiras diferentes, seja possível talvez alcançar alguma resposta. e desconfio que não haja uma resposta apenas, e que nenhuma seja definitiva para todos os casos.

volto a repetir, talvez o que devamos fazer é sondar nossos porões, onde mora a criança faminta que apenas deseja, retirarmos todo o entulho social da correção e das boas maneiras, e deixarmos que ela diga suas vontades. quem sabe a escutando de vez em quando não passamos a melhorar nossas escolhas, ficando então um pouco menos insatisfeitos?

Quinta-feira, 20 Agosto, 2009 - 6:29 pm

pé de quê?

bolt1o velocista usain bolt acabou de bater o recorde na prova dos 200 metros, fazendo 19,19 seg. o recorde anterior, de 19,30 seg, também foi estabelecido por ele nas olimpíadas de pequim.

antes disso, ele também estabeleceu a nova meta para os 100, ao cravar 9,58 seg.

para amanhã, ele está prometendo incendiar a pista no revezamento 4×100m.

quero ver se depois das façanhas do jamaicano, alguém ainda vai ter coragem de dizer que maconha deixa as pessoas lentas.