retorno

“(…) Dá-nos uma prova de que és o Filho de Deus e eu seguir-te-ei, Tu seguir-me-ias sempre se o teu coração te trouxesse a mim, mas o teu coração está preso dentro de um peito fechado, por isso teus sentidos pedem uma prova que os teus sentidos possam compreender, pois bem, vou dar-te agora uma prova que dará satisfação aos teus sentidos, mas que a tua cabeça recusará, e, no fim, estando tu dividido e perplexo entre a cabeça e os sentidos, não terás outro remédio senão vir a mim pelo coração, Quem puder entender que entenda, eu não entendo, disse o homem, Como te chamas, Tomé, Vem aqui, Tomé, vem comigo até a borda da água, vem ver-me fazer uns pássaros com esta lama que colho às mãos-cheias, repara como é tão fácil, formo e modelo o corpo e as asas, afeiçoo a forma da cabeça e do bico, engasto estas pedrinhas que são os olhos, ajeito as penas compridas da cauda, equilibro-lhes as pernas e os dedos, e tendo feito este, faço mais onze, aqui os tem, um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze pássaros de lama, imagina, se quiseres, dar-lhes nomes, este é Simão, este Tiago, este André, este João, e este, se não te importa, chamar-se-á Tomé, quantos aos outros, vamos espera que os nomes apareçam, os nomes, muitas vezes, atrasam-se no caminho, chegam mais tarde, e agora vê como faço, lanço esta rede por cima das avezinhas para que elas não possam fugir, os pássaros, se não temos cuidado, Queres dizer-me que se esta rede for levantada, os pássaros fogem, perguntou, incrédulo, Tomé, Sim, se a rede for levantada, os pássaros fogem, Esta é a prova com que querias convencer-me, Sim e não, Como, sim e não, a melhor prova, mas essa não é de mim que depende, seria não levantares tu a rede e acreditares que os pássaros fugiriam se a levantasses, São de barro, não podem fugir, Experimenta, também Adão, nosso primeiro pai, foi de barro e tu descendes dele, A Adão deu-lhe a vida Deus, Não duvides mais, Tomé, e levanta a rede, eu sou o Filho de Deus, Assim o quiseste, assim o terás, estes pássaros não voarão, com um movimento rápido Tomé levantou a rede, e os pássaros, livres, levantaram voo, deram, chilreando, duas voltas sobre a multidão maravilhada e desapareceram no espaço. Disse Jesus, Olha, Tomé, o teu pássaro foi-se embora, e Tomé respondeu, Não, Senhor, está aqui ajoelhado aos teus pés, sou eu.”

josé saramago – o evangelho segundo jesus cristo

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borduna tá de luto

retomo os bostejos com uma notícia muito chata pra mim: com dez dias de atraso, descobri por um texto do papo de homem que o bom e velho gil scott-heron bateu as botas.

gostava desse cara. de 2004 pra cá, continuo sabendo muito pouco sobre ele, além de que foi o compositor/cantor de uma das músicas mais fodas que já escutei – e na qual continuo acreditando, the revolution will not be televised.

Posted by jabari akhenamen.

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japão

pense numa bronca!…
pois eu levei uma por causa da piada do bostejo abaixo.

como “mea culpa”, indico um blog com ilustrações de artistas de vários países sobre a tragédia do japão. descobri na piauí.

(já que tocamos no assunto, desafio qualquer um da minha geração a provar que aprendeu o que era “tsunami” no colégio. antigamente, se dizia “maremoto”. a moda só começou depois do maremoto na indonésia em 2004. o efeito de macaquear nomes estrangeiros se estende a localidades e pessoas. pequim virou “beijing”; bombaim, “mumbai”; mianmar, “mianmá”; e por último, o khadafi virou gaddafi).

lutador de sumô de marc lechuga mostra o tamanho do... prejuízo

ps.: se lutador de judô é judoca, lutador de sumô é “sumoca”?

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piada pronta


sem comentários.

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a dupla dinâmica do rio

não canso de me surpreender com a internet…

aiô, silver!

ié iéééééé! vem fazer glu-glu!

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da série “olha a margem!”

é uma proposta?

ao ler a manchete ao lado hoje no uol, quase caí pra trás . embora não devesse, nesses tempos de puta virando celebridade e celebridade virando puta.

abri a notícia, imaginando que a atriz/modelo/manequim (que não tenho ideia de quem seja) estivesse justificando por antecedência a realização de um desejo íntimo com a desculpa de  “laboratório” para “mergulhar na realidade da personagem” para a próxima novela das oito, que agora é das nove.

infelizmente, não era nada disso. o programa que a moçoila se refere é de auditório. ah, tá.

em todo caso, qual não deve ter sido o contentamento do coleguinha que fez a travessura de escrever a ambígua chamada. “nós é pobre, fudido e explorado, mas às vez se diverte!”

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polêmica de polichinelo

não sou um grande entendedor de futebol, mas na minha humilde opinião, o botafogo está vivendo uma polêmica artificial entre o loco abreu e o técnico joel santana.

tudo certo em casa?

a história começou na semana passada, quando o craque fez críticas à maneira de jogar do botafogo, depois da partida com o duque de caxias.

ora, até a grama do estádio sabe que depois de passar um sufoco em campo, qualquer jogador menos sangue-de-barata, quando perguntado o que achou do jogo, vai reclamar. o camarada é capaz de desancar os companheiros de time, o esquema tático, o técnico, a diretoria, o presidente do clube, até o manequinho.

adestrado na arte de cavar e escrever notícias, sei que os coleguinhas da imprensa farejaram no fato a oportunidade perfeita para insuflar uma possível rixa, de forma a criar assunto com que engordar jornais e sáites de notícias.

e como o botafogo tem uma queda para o operístico, para o trágico, desde 1910 se deixa levar por essas crises fabricadas. tanto é que, no dia seguinte à publicação das críticas do uruguaio, já foi noticiada uma reunião entre jogadores e comissão técnica para, segundo a notícia, “lavar a roupa suja após as críticas de loco abreu ao esquema adotado por joel santana”.

a coisa persistiu depois do jogo contra o cabofriense, quando o loco caiu na besteira de declarar que ele e joel não têm “uma conversa muito fluente”. mas daí a concluir que os dois não se falarem com frequência signifique que haja uma rixa, vai um certo caminho.

diferença de opiniões podem haver, sim; e é natural que, numa coletividade, as haja. não acho que discordância seja quebra de disciplina. e como o próprio abreu frisou, “temos muito respeito um pelo outro e eu admiro seu trabalho”. pronto. o que não pode haver é falta de respeito. o assunto estaria encerrado aí. mas pelo jeito, a coisa deve continuar.

como parte da legião que acredita que a paranóia é uma forma mais desenvolvida de inteligência – ainda mais sendo botafoguense – tenho uma teoria que vai além da busca pela notícia.

o glorioso foi campeão carioca e estadual ano passado, com chances reais de vencer o brasileirão até pelo menos as últimas rodadas, quando todos os jogadores começaram a baixar à enfermaria. mesmo capenga de pai e mãe, o time batalhou e conquistou um honroso sexto lugar.

e o botafogo incomoda. principalmente porque montou um elenco capaz de repetir os títulos de 2010 – e quiçá levar o caneco nacional – sem elencos estelares ou investimentos astronômicos. ao contrário do que têm feito outros clubes pela aí, que vão ficar numa saia justíssima com a torcida e os conselheiros, se não reverterem seus gastos em títulos.

e como boa parte da imprensa simpatiza com esses times, uma crise nesse momento seria perfeito para desestabilizar já desde o começo do ano um time tradicionalmente supersticioso e dramático como o botafogo.

sou, antes de tudo, torcedor (embora desnaturado). portanto, não posso provar nada do que escrevo. agora, se me perguntarem se acho que estão tentando dinamitar meu fogão, ah, disso não tenho dúvidas.

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talvez haja justiça, afinal…

uma notícia quente contraria o bostejo da semana passada.

talvez alguém lá em cima goste das minhas bordunadas.

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amy, a barra não é o rio

li que o show da amy winehouse no rio demorou apenas uma hora – 15 minutos a menos do que em florianópolis. o irmão de uma amiga passou mais tempo no trânsito para chegar à casa de shows, nos confins de jacarepaguá, do que ouvindo a cantora. sem contar a volta. foi mal, mas to fora.

nessa época, talvez eu pagasse pra ver

acho a moça uma das duas únicas cantoras pop da atualidade a quem entrego meus ouvidos. a outra é a shakira. mas nem as duas juntas me fariam despencar para aquela roça, principalmente em dia de semana. não pago.

não me sai da cabeça a roubada que aconteceu no show do u2, em 1998. uma pá de gente ficou literalmente parada num mega engarrafamento a caminho do autódromo. vários abandonaram os carros na própria pista e correram para ao menos tentar chegar, mas uma galera ficou mesmo no ora veja.

cheguei cogitar assistir a amy em são paulo. seria mais fácil. especialmente após a experiência bem-sucedida que tive com o paul mccartney.
*****

tenho que tirar o chapéu para os paulistas na organização do show do macca. na véspera, a namorada e eu demoramos apenas cinco minutos no estádio para retirarmos os ingressos comprados pela internet. a fila imensa andou rápida e sem tumultos.

depois da festa, salvo a confusão de pessoas e carro no entorno do estádio, bastou-nos subir algumas centenas de metros pela giovanni gronchi para encontrarmos o trânsito completamente desimpedido. pegamos com facilidade um taxi que nos levou ao hotel e à rodoviária.

deve ser a expertise adquirida com tantos engarrafamentos.
*****

reforço meu ponto de vista sobre a inviabilidade da barra e o que há além, com o relato da asneira em que caí ao assistir o david guetta no riocentro, no fim do ano passado. o perrengue não foi a atração, foi o local.

aliás, numa coisa há que se concordar com os militares: o riocentro foi feito para ser explodido.

uma colega do trabalho e o marido nos convidaram, com carona garantida. como sequer conhecia o caboclo de nome, escutei uns trechos de música no site oficial e topei.

chegamos às dez, e tava bacana. ainda tinha pouca gente e o ar-condicionado dava vazão. só que depois lotou,esquentou pacas e mó galera começou a fumar cigarro no ambiente fechado.

as meninas que faziam o set de abertura eram um tédio absoluto. passou o efeito das talagadas de uísque que bebi no caminho, e ao contrário de quase todo o resto do público, eu tava careta. o que bateu foi dor nas costas e cansaço do dia de trabalho.

quando o show começou, às 3h da matina, namorada e eu só pensávamos na cama. para dormir. mas do riocentro, amigo, só sai quem tem carro. e nós estávamos, como disse o tennessee wiliams, dependentes da gentileza de estranhos.

pra resumir, saímos às seis da matina, depois que bebi umas 50 latinhas de red bull pra tentar me manter vivo. às sete eu morria em casa. riocento, never more!

atualização:
pra piorar as coisas, são pedro resolveu derramar o céu. imagino o trânsito…

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e o palhaço, o que é?

depois de aceitar palhaços nas igrejas (sem trocadilho), o méxico vem dando outras provas de civilidade.

são os palhaços-policiais (sem trocadilho mais uma vez), que atendem pelo péssimo nome de policlowns. vide aqui.

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