polaróide

atravesso a rio branco na altura da nilo peçanha e escuto django reinhardt em algum ponto da rua. procuro em volta e vejo um camarada na esquina atracado ao violão. ele toca sem camisa, sentado sobre um amplificador. tem barbicha, maquiagem nos olhos, faixa na testa e dreadlocks idênticos ao johnny depp em “piratas do caribe”. o som que tira do violão parece ter o acompanhamento gravado do quinteto “hot club de france”. desvio meu caminho para passar um pouco mais perto e percebo o truque. o amplificador toca a gravação original, enquanto o cara, desplugado, apenas executa alguns acordes simples. para o olho desatento, é um virtuose. pelo menos, parece se divertir.

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retorno

“(…) Dá-nos uma prova de que és o Filho de Deus e eu seguir-te-ei, Tu seguir-me-ias sempre se o teu coração te trouxesse a mim, mas o teu coração está preso dentro de um peito fechado, por isso teus sentidos pedem uma prova que os teus sentidos possam compreender, pois bem, vou dar-te agora uma prova que dará satisfação aos teus sentidos, mas que a tua cabeça recusará, e, no fim, estando tu dividido e perplexo entre a cabeça e os sentidos, não terás outro remédio senão vir a mim pelo coração, Quem puder entender que entenda, eu não entendo, disse o homem, Como te chamas, Tomé, Vem aqui, Tomé, vem comigo até a borda da água, vem ver-me fazer uns pássaros com esta lama que colho às mãos-cheias, repara como é tão fácil, formo e modelo o corpo e as asas, afeiçoo a forma da cabeça e do bico, engasto estas pedrinhas que são os olhos, ajeito as penas compridas da cauda, equilibro-lhes as pernas e os dedos, e tendo feito este, faço mais onze, aqui os tem, um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze pássaros de lama, imagina, se quiseres, dar-lhes nomes, este é Simão, este Tiago, este André, este João, e este, se não te importa, chamar-se-á Tomé, quantos aos outros, vamos esperar que os nomes apareçam, os nomes, muitas vezes, atrasam-se no caminho, chegam mais tarde, e agora vê como faço, lanço esta rede por cima das avezinhas para que elas não possam fugir, os pássaros, se não temos cuidado, Queres dizer-me que se esta rede for levantada, os pássaros fogem, perguntou, incrédulo, Tomé, Sim, se a rede for levantada, os pássaros fogem, Esta é a prova com que querias convencer-me, Sim e não, Como, sim e não, a melhor prova, mas essa não é de mim que depende, seria não levantares tu a rede e acreditares que os pássaros fugiriam se a levantasses, São de barro, não podem fugir, Experimenta, também Adão, nosso primeiro pai, foi de barro e tu descendes dele, A Adão deu-lhe a vida Deus, Não duvides mais, Tomé, e levanta a rede, eu sou o Filho de Deus, Assim o quiseste, assim o terás, estes pássaros não voarão, com um movimento rápido Tomé levantou a rede, e os pássaros, livres, levantaram voo, deram, chilreando, duas voltas sobre a multidão maravilhada e desapareceram no espaço. Disse Jesus, Olha, Tomé, o teu pássaro foi-se embora, e Tomé respondeu, Não, Senhor, está aqui ajoelhado aos teus pés, sou eu.”

josé saramago – o evangelho segundo jesus cristo

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borduna tá de luto

retomo os bostejos com uma notícia muito chata pra mim: com dez dias de atraso, descobri por um texto do papo de homem que o bom e velho gil scott-heron bateu as botas.

gostava desse cara. de 2004 pra cá, continuo sabendo muito pouco sobre ele, além de que foi o compositor/cantor de uma das músicas mais fodas que já escutei – e na qual continuo acreditando, the revolution will not be televised.

Posted by jabari akhenamen.

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japão

pense numa bronca!…
pois eu levei uma por causa da piada do bostejo abaixo.

como “mea culpa”, indico um blog com ilustrações de artistas de vários países sobre a tragédia do japão. descobri na piauí.

(já que tocamos no assunto, desafio qualquer um da minha geração a provar que aprendeu o que era “tsunami” no colégio. antigamente, se dizia “maremoto”. a moda só começou depois do maremoto na indonésia em 2004. o efeito de macaquear nomes estrangeiros se estende a localidades e pessoas. pequim virou “beijing”; bombaim, “mumbai”; mianmar, “mianmá”; e por último, o khadafi virou gaddafi).

lutador de sumô de marc lechuga mostra o tamanho do... prejuízo

ps.: se lutador de judô é judoca, lutador de sumô é “sumoca”?

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piada pronta


sem comentários.

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a dupla dinâmica do rio

não canso de me surpreender com a internet…

aiô, silver!

ié iéééééé! vem fazer glu-glu!

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da série “olha a margem!”

é uma proposta?

ao ler a manchete ao lado hoje no uol, quase caí pra trás . embora não devesse, nesses tempos de puta virando celebridade e celebridade virando puta.

abri a notícia, imaginando que a atriz/modelo/manequim (que não tenho ideia de quem seja) estivesse justificando por antecedência a realização de um desejo íntimo com a desculpa de  “laboratório” para “mergulhar na realidade da personagem” para a próxima novela das oito, que agora é das nove.

infelizmente, não era nada disso. o programa que a moçoila se refere é de auditório. ah, tá.

em todo caso, qual não deve ter sido o contentamento do coleguinha que fez a travessura de escrever a ambígua chamada. “nós é pobre, fudido e explorado, mas às vez se diverte!”

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